O que é a Ceia

Ceia do Senhor

Antes de compreendermos a Ceia do Senhor Jesus, precisamos voltar à pratica do Judeu, e entender à Pascoa!

Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós. 1 Coríntios 5:7

Os evangelhos narram os momentos finais de Jesus com seus discípulos e registram o seu ultimo jantar.

Este ultimo jantar ocorre numa data de alta relevância para o judeu e que, pós morte e ressurreição de Cristo, terá significância ainda maior para os cristão.

Jesus se reúne para jantar com seus discípulos e celebrar a Páscoa.

A páscoa para os Judeus era a primeira e mais importante das suas festas. A Pascoa fazia parte do calendário civil e religioso judaico, era a festa para relembrar a “passagem – daí o nome páscoa”.

Mas, que passagem?

Da escravidão para a liberdade. Do Egito para Canaã, Da Morte para a Vida!

“... E eu passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito na terra do Egito, desde os homens até aos animais; e em todos os deuses do Egito farei juízos. Eu sou o SENHOR.

E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito. ...” Êxodo 12:11-13

Jesus celebra a Páscoa como um judeu comum – pois ele o era, todavia, lhe dá o significado espiritual que será assumido pelos cristãos em todos os tempos.

E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos; Porque isto é o meu sangue; o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados.

E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu Pai. E, tendo cantado o hino, saíram para o Monte das Oliveiras

Mateus 26:27-30

No Egito a “passagem” da Morte para a Vida estava condicionada à cobertura do Sangue do Cordeiro Sacrificado. O sangue nos umbrais das casas – cada família, era a marca de identificação dos libertos, e mais, a marca dos que Vivem!

Jesus ao celebrar a Páscoa com seus discípulos declara que o “Seu Sangue” será derramado sobre muitos, também para libertação. Do que? Dos pecados e da Morte!

O sangue nos cobre e nos conduz em liberdade à presença do Eterno, nos conduz à Vida.

O autor de aos Hebreus nos declara:

Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, Pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne, E tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus,

Hebreus 10:19-21

Assim Jesus de forma didática ensina aos seus discípulos – e a nós, o que é a verdadeira Páscoa. Passagem da morte para vida pelo seu ato de amor, por seu sacrifício, enfim, pelo seu próprio sangue.

Quem crê nas suas Palavras – incluindo estas que dão significado à Páscoa, fazem a “passagem” ou simplesmente a Páscoa.

Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida. João 5:24

Bom, após entender o contexto da Páscoa! Podemos avançar para a Ceia do Senhor Jesus!

 

E, chegada à hora, pôs-se à mesa, e com ele os doze apóstolos. E disse-lhes: Desejei muito comer convosco esta páscoa, antes que padeça;Porque vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus. E, tomando o cálice, e havendo dado graças, disse: Tomai-o, e reparti-o entre vós;

Porque vos digo que já não beberei do fruto da vide, até que venha o reino de Deus.

E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós. Lucas 22:14-20

Podemos observar nesta narrativa e nas outras que:

a)Os discípulos preparam o encontro a mando de Jesus;

b)Jesus tinha desejo de estar com eles;

c)Jesus se põe a mesa com eles;

d)Jesus dá novo significado à Páscoa;

e)Jesus não participará deste momento até que se cumpra no Reino;

f)Deveríamos dar continuidade a este ato em memória dele;

 

Se as narrativas de maneira objetiva declaram o que ocorreu, será o Apostolo Paulo quem explicará de maneira pormenorisada o que o ato simbólico deve significar.

 

Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha. Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. 1 Coríntios 11:26-28

Observe-se a expressão “comer ... beber o cálice do Senhor indignamente”. (I Coríntios 11.27). “Indignamente” é advérbio de modo. Desempenha a função de adjunto adverbial e não de predicativo do sujeito, um qualificativo.

Indica a maneira como alguma coisa é feita, e não, o por quem é feito!

Comer indignamente não é comer (estando) indigno (predicativo), mas é comer (agindo) de maneira indigna (adjunto adverbial).

Indignamente” refere-se a atos, a atitudes, não a pessoas ou coisas. Não existe mesa santa, pão santo, cálice santo, toalha santa, ou mesmo, pessoas santas ou dignas suficientes para participar da mesa! Não é a pessoa em si, mas, o modo que esta pessoa se apresenta!

Uma pessoa pode ser considerada “digna” (adjetivo) – aos olhos da igreja, sociedade e aos próprios, mas, ainda assim, em determinada circunstância, agir “indignamente” (advérbio de modo).

Da mesma forma uma pessoa “indigna” por agir “dignamente” em determinadas circunstancia, conforme o momento exija tal dignidade.

Como na oração do Publicano e Fariseu, podemos observar que aquele que se percebe mais impurto/indigno é o que tem o coração mais preparado.

O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: O Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: O Deus, tem misericórdia de mim, pecador!

Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado. Lucas 18:11-14

Ou seja, àqueles que se consideram mais dignos, consagrados, etc. invariavelmente são os que estão mais distantes do modo digno necessário para se assentar à mesa do Senhor Jesus.

Não existe dignidade em nós, mas, nELE e no que ELE fez!

que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz” (Colossenses 1.12).

 O texto paulino não diz em nenhum momento que os coríntios eram indignos – no inicio da Carta Paulo os chama de Santos.

Contudo, ao se reunirem para o Cear, estavam agindo de “maneira indigna”. Eram dignos por terem sido santificados em Cristo, todavia, se apresentavam de maneira imprópria, ou indigna!

Qual seria este modo que não dignificava?

a)Dissensões entre eles,    - I Coríntios 11.18

b)Pregação Herética;         - I Coríntios 11.19

c)Falta de Fé- Ressurreição- I Coríntios 15.19-25

d)Brigas entre irmãos;       - I Coríntios 6.1-2

e) Soberba entre irmãos;    - I Coríntios 11.22

f)Uniões Mistas;                - I Coríntios 6.15-18

g)Rebeldia contra lideres  - I Coríntios 9.1-6

h)Desordem no culto;       - I Coríntios 11.21

i)Embriaguez;                   - I Coríntios 11.21

j)Falta de discernimento   - I Coríntios 11.27

 

Outra duvida pertinente: O que seria comer e beber indignamente?

Já vimos que não tem relação com o individuo (enquanto ser) mas, suas atitudes – modo de agir, pensar, etc.

Paulo afirma que neste modo de agir (vide itens de ‘a – f’) a Ceia não era do Senhor Jesus, mas, das pessoas!

Sim, trocou-se o memorial da Morte e da Ressurreição, o anunciar da Volta pela baderna! Pela humilhação do outro, pelo achismo das doutrinas próprias, pela desordem no culto, etc.

Veja, que não há da parte de Paulo nenhum apontamento sobre o “formato” da Ceia – o tipo de pão, de vinho, a mesa, quem servia, quem comia, etc. Mas sim, o modo indigno que não discerne o Corpo.

Discernir é a capacidade profunda de entendimento de algo, é entendimento, compreensão, aderência, ao que? Ao Corpo. Que corpo? O de Cristo!

O primeiro item citado acima - Dissensões entre eles, é o tema geral da Carta.

A igreja de Corinto não era uma em Cristo, mas, várias!

Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer.

Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo. Está Cristo dividido? foi Paulo crucificado por vós? ou fostes vós batizados em nome de Paulo?

1 Coríntios 1:12-13

Não há nova Aliança sem unidade! De pensamento, disposição, coração, propósito!

A Ceia – memorial do Corpo e do Sangue de Cristo, é a manifestação plena da COMUNHÃO DOS IRMÃOS!

Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo?

1 Coríntios 10:16

Isto era o que Jesus havia orientado os seus discípulos as vésperas da ultima Pascoa!

Para que todos sejam um, como Tu, ó Pai, o és em Mim, e eu em Ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que Tu me enviaste” (João 17.21).

 A indignidade no modo não estava no “pão – elemento” mas, no Corpo de Cristo – Igreja, pessoas!

Não considerar o irmão, não amá-lo, não cuidar dele, não interceder em favor do outro como o próprio Cristo o fez por nós é o que nos torna INDIGNOS!

Comer e beber indignamente é fazer como faziam os coríntios, que, dizendo participar do memorial da nova aliança no sangue de Jesus nos cultos específicos, e maltratavam, desprezavam, os crentes mais humildes, “não discernindo o Corpo do Senhor”.

E mais!

Se considerarmos a oração de Jesus, que intercede não apenas pelos “já discípulos” mas, por aqueles que haveriam de se tornar, desprezar, maltratar, não cuidar, não observar, não interceder pela não cristão, “Também nos torna indignos”!

E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; João 17:20

 

Para Paulo, a expressão “Corpo de Cristo” designa sempre a comunidade dos remidos (Romanos 12.5; I Coríntios 12.12-27; Gálatas 3.27-29; Efésios 1.22-23; Colossenses 1.18-24; 3.3.15). Mesmo o pão da Ceia do Senhor, que representa o corpo físico de  Cristo, o Cordeiro de Deus, imolado por nós na Cruz, representa também a Igreja, que o Corpo de Cristo (I Coríntios 10.17; Efésios 1.22-23).

 

Ideias iniciadas no estudo do Pr. Barbosa Neto

 

Abraços Públio Azevedo

 

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